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Olhar pra dentro

Um dia, numa mesa de bar, eu disse a um amigo sobre uma vontade que tenho de brincar com as palavras, usando-as de maneira inversa ou incomum. Não é sempre que consigo, claro, dada as minhas limitações como escritor, mas tento. Nesta ocasião eu disse '...vejam o inaudível' da minha poesia 'Olhos'. Meu pobre amigo, com sorriso sem graça de quem vê alguém falando uma besteira, retrucou 'não... vejam o invisível.' E eu disse 'esta é a poesia' (rs). Mudamos de assunto.

Outra vez, um outro amigo questionou quando leu 'almas infestas' em uma poesia do e-book Poesia Visual. Ele me perguntou o que significava e eu, com cara de um certo estranhamento, disse que achava que o conceito estava claro. Até que ele disse 'acho que eu entendi, mas quero saber se está certo... você pode usar a palavra assim?'. Por ser uma pessoa muito próxima e ser alguém que leu um bocado durante a vida, confesso que me ofendi um pouco na hora. Pensei: Ué? Eu não posso criar uma nova aplicação para uma palavra na 'minha' poesia? E na verdade, neste caso, nem é tão nova. 'Almas infestadas, ruins'. Bem, hoje não teria me ofendido. Enfim.

Voltemos ao primeiro amigo. Muito tempo passou e em 2018 comecei a usar a expressão 'Música Nômade', uma definição que eu e Sebastião Rafael, após uma consultoria, entendemos como síntese do meu som, música de muitas referências e raízes. Porém, quando eu fui desenvolver o texto, ao me referir às raízes e às inúmeras casas que podem ser abrigo para esta música, surgiu um sub-conceito, a frase 'raízes que caminham'. Raízes que andam por aí e se acomodam onde forem bem-chegadas. Bem, novamente usando dos meandros da poesia, propus algo que não é comum: raízes que caminham. Legal, né? rs. Meu amigo não achou (ok, até aí tudo bem). Mas, muito além de não gostar, usou a frase 'isso é uma M...'.

Fiquei meio incrédulo - e olha que quem me conhece sabe como eu lido com críticas, escuto, debato - mas achei rude. 'É uma M...'. Acho que ele não foi sensível de imaginar o lado poético da frase. Climão rs. Depois de algumas farpas ele comentou que existem espécies de plantas que caminham sim, que mudam de lugar (não lembro os detalhes). Mas aí eu já não estava nem aí pra quem andava ou não. Hehe.

Não guardo mágoas não. Sério. Estes amigos ainda são de meu convívio e são queridos (de verdade), pessoas muito inteligentes, mas - um alerta - ser doce é algo para o agora, é pra já!

Moral da história: Leia a poesia. ;-)

Beijos e abraços!

Olhos

No espaço nulo, como tela em branco,

viram pintar as aspas que nada preencheram,

só novas lacunas.

Na verdade, o que falta são olhos.

Olhos que vejam o que não se pinta em telas,

o que não se escreve com palavras

e que nem a memória fotografa.

Faltam olhos que olhem para dentro

e, sensíveis, vejam o inaudível,

vejam o que sinto.

Rio de Janeiro, primeiro semestre de 2015

Poesia do e-book 'Feliz Ainda'