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Psicologia online e crise de ansiedade

Assim que a pandemia nos obrigou o isolamento social [lá pelo dia 18 de março] eu busquei coisas para me ocupar, me manter ativo. Tentei me exercitar, estudei muito. Foram semanas assistindo a todos os cursos online gratuitos que eu pude e de diversos temas. Senti aí o primeiro baque, ainda sutil: meu déficit de atenção e dificuldade de aprendizagem estavam a todo vapor.

Nesse período eu também fiz uma ou outra live, compus uma música, postei uns vídeos legais… E senti saudades. De coisas simples. Mas, especificamente também, de pessoas que considero importantes.

Também realizei coisas muito bacanas. Compus, gravei e lancei ‘Quarentena e Quintais’, canção gravada na marra, do jeito que deu [inspiração surgida durante a caminhada de 5km para visitar minha mãe sem precisar pegar transporte público e quase perdida nos 5km da volta porque esqueci de gravar no celular] e fiz o Logã :: Entrevista - O Que Importa?, projeto que busquei para fugir das lives musicais e tentar trazer para as pessoas entretenimento informativo [além do que, estava difícil disputar o horário das 16, 17, 18, 19, 20, 21h (...) com os artistas grandes, né?]. Senti o segundo baque, agora o soco entrou um pouco melhor: internet x realidade x audiência x exposição x ser produtivo x não ser produtivo x opiniões diversas...

A partir de 20 de abril busquei um pouco o ócio. Já não estava mais fazendo entrevistas [confesso que foi bacana mas um pouco cansativo, foram 14 entrevistas seguidas] e assisti uma ou outra aula bem de boas, sem cobrança. Mas aí, sem perceber, passei um domingo 26 de abril muito mal… Na segunda-feira se agravou. Quando dei por mim, o terceiro baque, aquele que derruba quem tem queixo de vidro [gíria do boxe], tinha entrado certeiro: eu estava em plena crise de ansiedade.

Taquicardia, uma certa tristeza, às vezes raiva. Todas aquelas questões que passaram pela cabeça [já passavam antes] sobre que rumos estava tomando a vida, vieram fazer reunião de condomínio, horas no peito, horas na cabeça, horas no estômago.

Sempre fui meio isolado - apesar de sociável. Não necessariamente por gostar de ser ‘na minha’, mas a vida me fez assim. Mas nesses dias, as pessoas me fizeram falta e, na piração, você se pergunta se você é ‘essencial’ para as outras pessoas. [sem papo de suicídio, por favor, é apenas uma força de expressão*]. Não foi fácil. Desabei. Fiquei praticamente uma semana [em especial os 3 primeiros dias] só da cama para a cozinha, depois para o banheiro, depois para a cama, depois para o filme, depois para o banho, novamente a cama e assim foi.

Não conseguia me concentrar para ler. Quando procurei as pessoas especiais me parecia sempre que elas preferiam não falar muito, ou com ninguém e, na crise, você se acha que o problema pode ser você, com uma ou outra exceção.

Foi aí que vi um post da Roberta, uma amiga. Roberta Vieira, psicóloga, alertando sobre questões de saúde mental durante o isolamento. No dia seguinte lutei contra a força gravitacional que me mantinha deitado [e que também garante que a água dos oceanos não escorra espaço sideral à fora mesmo a Terra sendo redonda] e a procurei, não para uma consulta necessariamente, mas para uma entrevista que, no fim, virou uma consulta ao vivo.

Relatei em alguns momentos coisas que vão além do isolamento - como minha síndrome do impostor - e que ajudaram no ‘conjunto da obra’.

Foi ótimo conversar com a Roberta, me fez muito bem. Ainda sinto os traços da ansiedade, claro, mas agora tenho mais recursos para trabalhar isso internamente. O link da conversa está aqui: https://youtu.be/MrgtYt260fw

Roberta Vieira - Psicóloga com Mestrado em Saúde Coletiva/ IESC UFRJ em especialização na Clínica Psicanalítica no ambulatório de adultos do IPUB/UFRJ - Instituto de Psiquiatria, Psicóloga Escolar na EJA e professora de cursos técnicos, Roberta e eu abordamos os possíveis transtornos resultados ou agravados durante o isolamento social e suas saídas, dicas e canais de atendimento para consultas. Embora tenha sido a última entrevista realizada, antecipamos sua publicação devido à importância do tema. [Entrevista realizada em 06 de Maio de 2020]

Roberta Vieira @psicologarobertavieira

*Sobre a observação que fiz: não pensem que fui indiferente ao tema do suicídio, não, mas me senti obrigado a frisar que não se tratava disso pois, em fevereiro de 2019 eu fiz um postagem no meu facebook onde relatava que ‘(...)por enquanto só estou conseguindo lutar contra a ansiedade, a tristeza, ignorância e uma depressão que ameaça todo santo dia’ me referindo ao que já se apresentava, governo fascista, meu amigos igualmente cabisbaixos... Muita gente entendeu que eu estava ‘patologicamente’ deprimido, quando na verdade, sim, eu estava muito abatido, mas eu afirmava ali que eu estava lutando, estava de pé. Ao escrever aqui sobre ser ‘essencial para as outras pessoas’ fiquei com medo de ser mal interpretado. Amo a vida, sou espiritualista - além de ser chato o suficiente para não me interromper assim de bobeira. Vocês vão ter que me aturar! Amém.