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Um texto difícil e o Sarau Coletivo

Todas as pessoas que eu entrevistei durante o mês de abril/2020 ganharam algum texto aqui neste blog. Os textos são sempre um misto entre falar de mim (esperava o que, né?) e contar uma história sobre o entrevistado/ entrevistada. Muitas dessas pessoas eu tive alguma experiência, ou são amigos, ou pessoas que admiro e, em uma ou outra situação mais específica, é possível que eu tenha uma história muito bacana para contar - como foi com Dayse Amaral, André da Costa Pinto, Alberto Americano, por exemplo.

Bem, aqui a missão é falar de Tita Garcia, cantora, compositora e idealizadora do Sarau Coletivo, evento no qual eu participei e, então, nos conhecemos. Embora só tenhamos nos visto uma única vez pessoalmente, a história que contarei aqui, embora não envolva a Tita, é deveras importante para que eu chegasse até o momento de me inscrever para participar do evento dessa agitadora cultural.

Voltemos ao ano de 2013. Eu estava em cartaz com o espetáculo ‘O Tempo e os Conways’ na Casa da Gávea/RJ. Temporada bacana, ganhei um elogio de raspão na coluna de Bárbara Heliodora [ que ela, sem culpa, escreveu o nome de outro Pedro, depois explico ] e tive a sorte de dividir o palco com Johnny Massaro e Stella Maria Rodrigues (!).

O país começava a assistir inúmeras manifestações em todo canto. Uma noite, pós peça (ou pós ensaio, não lembro), recebi o convite para ir à uma reunião na casa de um ator medalhão (no sentido temporal) e com certa fama por seus histórico político [ e hoje, de lunático também ]. Chegamos aos lotes no amplo apartamento na Barra da Tijuca (ora, ora), atores, músicos e profissionais do audiovisual. Todos muito jovens. Eu possivelmente era um dos mais velhos, tirando o anfitrião. Falamos muito e criamos um espécie de manifesto. Estava empolgado, como muitos, por estar debatendo o futuro do meu país e, na época, não tinha ideia da armadilha que estávamos entrando [ o pré-golpe, robôs, Steve Bannon… ].

Na reunião seguinte, o tal ator medalhão se mostrou totalmente fechado ao diálogo e alegou estar sendo censurado por nós. Explico: na primeira reunião o filmamos dando seu depoimento ‘conspiratório’. Aquele papo bizarro e inacreditável que se tornara robótico na bolha conservadora alienada, o tal ‘golpe comunista’. Enfileirou altas análise das teorias do filósofo Antonio Gramsci e enfatizou a palavra ‘inimigo’. Nós filmamos. A reunião se encerrou e, dias depois, conseguimos contato com um pesquisador que tinha, baseado no mesmo filósofo, sua opinião totalmente divergente do tal ator. “Ótimo”, pensamos, “este será o viés do grupo: propor o diálogo. Mostra diferentes opiniões, com linguagem simples e direta para um público jovem.”

Então, nessa reunião, o histórico ator questionou o fato de ainda não termos publicado o vídeo com seu ‘depoimento’. Bem, o tal ator medalhão lunático conspirador se deparou um grupo de jovens, em sua maioria inteligentes, e que queriam aprofundar o debate e não simplesmente bater continência para o que ele dizia. Deu curto. O velho ator decadente queria ser ouvido, apenas, e sua arrogância teve dificuldades em passar pela porta ao sair.

Mas o grupo continuou. Foi ficando menor a cada reunião, mas fizemos ações, duas, em especial, me deixaram muito orgulhoso. A primeira foi um flash mob [ intervenção urbana ], ainda um teste, em plena Estação da Central do Brasil onde mostrávamos o custo anual de um senador para os cofres públicos. Diante de uma plateia visivelmente leiga sobre o assunto e majoritariamente simples, nos vimos levando alguma reflexão sobre a importância de se estar atento à política.

A segunda ação foi capa dos principais jornais do país no dia seguinte. Nossa intervenção urbana na escadaria da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) trouxe luz à luta de familiares de desaparecidos que, na época, tinha o caso Amarildo como principal episódio.

Mas, 2013 foi um ano muito estranho. Só em 2014 conseguiríamos separar quem eram da luta e quem era gado. Assim que uma atriz do grupo [ que mudou para Miami ] falou sobre impeachment, o grupo rachou e acabou.

Nessa brincadeira conheci gente muito bacana. Na lista estão o ator Christian Manos e o fotógrafo Marcio Nunes, que me marcaram em uma postagem sobre as inscrições para o Sarau Coletivo. Pronto, chegamos à Tita. Ufa.

O evento foi muito legal. Foi lá vi pela primeira vez as cantoras Maíra Baldaia e Nath Rodrigues, de Minas Gerais. Tita e a trupe multi-arte produziu um evento que já coleciona várias edições e abre espaço para artistas de curta e longa estrada. Durante o isolamento, Tita maratonou pelo menos quatro dias de entrevistas na edição virtual do Sarau com profissionais da música, imagem, escrita e saúde.

Como artista, tem suas canções disponíveis nas plataformas e participação em reality show musical.

Tita Garcia - cantora, compositora e produtora cultural, idealizadora do Sarau Coletivo ‘compareceu’ ao Logã Entrevista para falarmos sobre lives, cultura colaborativa e sobre o futuro de quem vive das aglomerações (shows).

[Entrevista realizada em 17 de Abril de 2020]

Tita Garcia

@tita_garcia

https://youtu.be/fGuADV7SVzk